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0 Alinhado

aquele cara
é melhor que eu
não bebe
não fuma
não é bagaceiro
tem porte
sequer enlouquece
vê se me esquece
e boa sorte.

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O trabalho Alinhado de Júlio Freitas foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

0 Caçada

Observo-te com olhos de coruja
não adianta
não fuja
de minha boca
a babuja
é certo que esta noite
ficarás toda suja
terei teu corpo
de lambuja

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0 A gota d'água

É tanto chove e não molha
e tanta vida seca
É tanta tripa de fora
e tanta trégua desfeita

É tanta pouca vitória
e tanta coisa malfeita
É tanta briga irrisória
e tanta escassa colheita

É tanta falsa história
e tanta mala suspeita
É tanta crença ilusória
e tanto "dispa-se e deita"

É tanto chove e não molha
e tanta vida seca
É tanta tripa de fora
e tanta trégua desfeita.


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O trabalho A gota d'água de Júlio Freitas foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Brasil.

0 Esboço da felicidade

Aquele dia
Naquele lugar
Nossa alegria
O vento do mar
Que frio fazia!

Que pena que aquele dia
Não caiba nessa velha fotografia.

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0 Não sei

Acho que chove
Acho que venta
Acho que é outono
Acho que tudo é cinza

Acho que é frio
Acho que é noite

Acho que é triste
Acho que é escuro
Acho que é seco
Acho que esqueço

Acho que acalmei
Acho que acabou
Acho que não sou
Acho que não sei.

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1 Disfarce

por Júlio Freitas


Hoje encontrei um poema
não falava de amor
e fedia a esgoto
não rimava com dor
mas sim, com biscoito.

Acabei de encontrá-lo
no ralo
do banheiro
era feio e sujo
e escarrava
o tempo inteiro.

Ninguém o leu.
Ninguém o quis.

Pensei num disfarce.
Então lavei-o, passei perfume
botei pomada pra que a bunda não lhe assasse
guardei numa caixa bem bonita
e só assim eu consegui que o publicassem.


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2 O Andarilho


por Júlio Freitas

O andarilho
e sua gaita de boca
no campo de milho
a voz um tanto rouca.

O espantalho
seu parceiro crucificado
com as vestes de retalhos
e o corpo todo furado.

O andarilho
escorado no joelho
encostado no espantalho
do chapéu vermelho

Pega sua gaita
e faz um floreio.

Tem sangue no olho
e ouve os conselhos
do boneco caolho
sentado no orvalho
na canção ele mergulha
as notas saem parelhas
com seu coração em frangalhos
(como quem puxa o gatilho
e só provoca fagulhas).

E vai andando o andarilho
numa busca sem atalhos
o solitário maltrapilho
do cabelo já grisalho

Segue o rumo da direita
e some na estrada escura.
O andarilho sequer suspeita
que é a si mesmo que procura.


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0 Coração Amassado


por Róger Borges


Hoje eu senti o que é um coração amassado sob um olhar que nunca havia visto. O simples fato de ler um papel vago por cantos deste estraçalhado tão grande me remeteu a lembranças tuas, mas mesmo assim ao pegar e amassar este pedaço de papel eu levo junto todo aquele sentimento que é fortemente esmagado. Me pego estagnado com a confiança, e compreensão apertados por um olhar apressado sobre aquela folha de papel, sequer percebi que aquele era o reflexo do que queria dizer a ti, então me trago uma duvida tão grande quanto a meu coração que sequer dá sinal de antigos sentidos, sem ao menos ouvir a mais leve batida, pois este preenchimento acaba de ser jogado ao lixo. Já não sei se há tempo para voltar e guardar aquele pedaço de escrita em meio meus rabiscos, mas mesmo jogado ao lixo ele entrou em minha mente e certamente está cravado em meu peito. 
Pouco a pouco um alívio vai me absorvendo juntamente com um pressentimento, sinto que agora estou pronto para correr junto com meus textos ao teu corpo e então agir diante de ti a fim de lhe deixar sem reação, pois acabei de sentir a força de uma palavra escrita e não saciado eu busco descobrir o meu poder sobre ti, juntamente com o sabor de sua boca. Esta mudança repentina onde meu coração para e logo após bate mais fortemente, é obtida através das lembranças de cada beijo roubado, recebido ou até mesmo imaginado, é fonte de inspiração que você me dá, mas mesmo assim não me sinto capaz de transmitir mesmo com o grito mais alto onde todos possam ouvir dizer o que está entrelaçado em meio estraçalhas cravados em meu peito, eu me olho diante do espelho e espero você aparecer agarrada a mim mesmo que na verdade você esteja mais presente e fortemente em meus singelos sentimentos, em meus contínuos pensamentos.
Feroz e escrúpulo em minhas ações eu tono a te procurar, e toda essa incapacidade das pessoas serem capazes de identificar as armas que usam para lutar e sequer o porquê do lutar, erradia a falta de conquistas e se tornam obstáculos diante á mim, mas o que sinto aqui é mais que qualquer incompreensão mesmo que ainda seja incompreensível o significado de uma folha amassada e jogada ao nada, descubro que o sentimento pulsante é forte, o que escrevo aqui é uma maneira de lutar para existir o nós, e que todas as folhas já amassadas se tornem lembranças de noites em claro pensando em ti, agora admito que se hoje fosse preciso fechar os olhos para te enxergar, amanhã acordo esperando abrir os olhos levemente a te encontrar e entre golpes diretos á corações enfrento todas as incertezas com o fortalecimento que você me sobrepõe.
Não temo a mais nada, pois o tempo será capaz de curar o que a razão não cura, você será capaz de apagar qualquer ameaça e fazer surgir novas lembranças. A alegria está em luta, na tentativa do sentimento envolvido ser cada vez mais intenso, mas nem por isso compreensível, não na vitória propriamente dita, mas na tua presença a cada dia. Meu coração está a ser comparado a este papel e peço então que ele não precise ser amassado para ser valorizado!


Róger Borges
Contato: rogermichelldasilvaborges@hotmail.com


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